Artigo

MÍDIA E ARTE INDEPENDENTE: MEDIAÇÃO CURADORIA E DIFUSÃO

CARVALHO, Cecilia Tumler de1; GONCALVES, Adalgisa Aparecida De Oliveira2;

Resumo

Introdução:Como segmento jornalístico, o jornalismo cultural passa por diversos filtros de conteúdo desde a produção artística em si até a chegada ao público através da mídia. Por meio desses filtros define-se o que é ou não é notícia, e é comum que a arte independente, ou seja, aquela que está fora dos circuitos e mercados massivos, não tenha tanto espaço no jornalismo quanto a arte financiada por grandes produtoras, por exemplo. As decisões sobre o que entra ou não entra na ordem do dia jornalístico acontecem por meio de processos chamados por esta pesquisa de mediação, curadoria e difusão.

Objetivo:Esta pesquisa busca entender e analisar em que proporções ocorre a correspondência entre o artista autônomo e a notícia, nos âmbitos da mediação, curadoria e difusão. Dentro disso, se propõe a entender a distribuição de forças dessas relações, analisando a presença da arte independente na mídia e a necessidade do artista e da população de obter esse conteúdo.

Metodologia:Inicialmente, foram feitas leituras e aprofundamentos sobre temas da pesquisa. Usando como objeto de estudo o Caderno G, editoria de cultura do jornal Gazeta do Povo, de Curitiba, passamos às seguintes etapas: leitura diária do caderno e análise; análise da caixa de entrada do mailing do caderno para avaliar a presença de arte independente; entrevista em profundidade com o editor executivo do Caderno G; entrevistas semiestruturadas com artistas independentes e a aplicação de questionário survey com a população de Curitiba.

Resultados:Com a análise do mailing do Caderno G, este estudo verificou que de 26 emails recebidos em um dia, apenas quatro tentavam divulgar arte independente, mas nenhuma dessas sugestões chegou a ser publicada ou desenvolvida em matérias na Gazeta do Povo. Na entrevista com Jones Rossi, editor do caderno, verificou-se de que a editoria não funciona apenas como agenda cultural, papel absorvido pelas redes sociais, mas também como um espaço para matérias analíticas sobre contextos culturais. Além disso, obtivemos informações sobre a logística de publicação e relacionamento com o público e os artistas. No questionário survey com a população, 65 pessoas foram entrevistas e, desses, 53,8% afirmaram conhecer “pouco” da arte que é produzida em Curitiba, 58,5% acham que a arte local tem pouco espaço na mídia e deveria ter mais, e 73,8% consideram “muito importante” que a população saiba o que se produz em termos de arte local. Entrevistando três artistas independentes de Curitiba, detectamos a dificuldade em estar na mídia e entrar em contato com os jornalistas, além da necessidade do jornalismo para a comunicação mais eficiente com a população.

Conclusões:A relação entre mídia, artistas e população não é equilibrada. Os artistas procuram a imprensa, geralmente sem um método eficiente e por canais errados; o jornalista decide quais informações viram notícia, com base em critérios como audiência e linha editorial, o que geralmente exclui arte independente; e a população acaba não tendo dimensão fiel da cena cultural local, que fica restrita a ser apreciada por quem está mais inserido nela por outros meios.

Palavras-chave:Arte independente. Mediação. Curadoria Difusão.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador