Artigo

DERIVAÇÃO VENTRICULO PERITONEAL E INFECÇÕES

AFORNALI, Sandrieli1; KUSMA, Solena3; MAEDA, Adriano Keijiro2;

Resumo

Introdução:A hidrocefalia é caracterizada pelo aumento da quantidade e da pressão do líquido cefalorraquidiano (LCR), causada pela alteração da formação, circulação ou reabsorção do mesmo, o que leva à dilatação ventricular e à compressão do tecido nervoso. Possui causas congênitas ou adquiridas e tem como principal consequência a hipertensão intracraniana. Seu tratamento inclui o uso de derivação ventricular peritoneal (DVP), a qual pode falhar por infecção em 3 a 15% dos casos, levando ao óbito 17% dos pacientes.

Objetivo:O objetivo desta pesquisa é conhecer o perfil epidemiológico dos pacientes que desenvolveram infecção da DVP em um hospital pediátrico terciário de Curitiba, bem como identificar os principais agentes etiológicos envolvidos e sua sensibilidade aos antimicrobianos, numa tentativa de identificar um antibiótico eficaz para uso empírico, enquanto se aguarda o resultado da cultura do LCR.

Metodologia:Um protocolo de pesquisa contendo 14 questões objetivas (como sexo, idade no momento da complicação, idade na primeira operação para colocação da DVP, entre outras) foi desenvolvido para a análise dos prontuários. A amostra final consistiu em 43 pacientes que desenvolveram infecção do shunt durante o período de 3 anos e meio (janeiro de 2013 a julho de 2016). Os dados obtidos foram organizados em planilha do Microsoft Excel. A análise de dados foi realizada com o auxílio do programa computacional SPSS v.20.0.

Resultados:Observou-se maior prevalência da condição no sexo feminino, em pacientes que foram submetidos a primeira cirurgia para colocação da derivação com idade de até 6 meses, sendo tumor de sistema nervoso central e mielomeningocele as principais etiologias da hidrocefalia. O tempo médio para desenvolvimento da infecção após a cirurgia foi de 2 anos, com a criança apresentando em média 3 anos de idade no momento da complicação. Febre, vômitos, sonolência ou letargia, sinais flogísticos na ferida operatória ou no trajeto do cateter foram as mais frequentes manifestações clínicas. A cultura do LCR foi positiva em mais da metade dos casos, sendo o Staphylococcus epidermidis, bactéria gram-positiva residente da pele, o principal agente associado à condição. Tal microrganismo mostrou-se sensível à vancomicina em 90% das vezes, tornando tal antimicrobiano o de escolha para o tratamento empírico da meningite pós derivação, seja de forma isolada ou associada a outros medicamentos como amicacina, cefepime, meropenem, metronidazol, ciprofloxacino e polimixina B.

Conclusões:A elevada morbimortalidade associada ao desenvolvimento da infecção da DVP e a dificuldade na redução da incidência de tal complicação apesar de inúmeros avanços em relação aos cuidados pré e perioperatórios, reforçam a importância do tema e a necessidade de investimentos em mais estudos, especialmente no que diz respeito ao uso de um esquema de antimicrobianos eficaz para o tratamento empírico da condição.

Palavras-chave:Hidrocefalia. Infecção. Derivação ventricular.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador
    3. Colaborador