Artigo

INFLUÊNCIA DO DIABETES E DA HIPERTENSÃO GESTACIONAL NA GÊNESE DO AUTISMO

AREVALO, Andrea Ferrari1; CARVALHO, Beatriz Freitas De3; ANTONIUK, Sérgio Antônio3; JUNIOR, Alfredo Lohr2;

Resumo

Introdução:O autismo é uma das doenças mais herdáveis, porém, a influência genética parece ser de apenas 38%, enquanto os fatores ambientais aumentam 62% o risco. Alterações metabólicas maternas também interferem negativamente no desenvolvimento fetal. Sabe-se que há um aumento na incidência de alterações do neurodesenvolvimento em filhos de mães diabéticas devido ao hiperinsulinismo e hipoglicemia fetal recorrente. Outra alteração metabólica materna citada na gênese do TEA é a doença hipertensiva específica da gestação (DHEG). A redução da perfusão útero-placentária gera um estado de hipóxia fetal, o que afeta o desenvolvimento cerebral.

Objetivo:O objetivo deste trabalho foi analisar a relevância do Diabetes Mellitus Gestacional (DMG) e da DHEG na etiologia de um transtorno autista na população estudada, comparando com achados já descritos na literatura.

Metodologia:É um estudo de caráter retrospectivo observacional transversal. Para obtenção de dados, aplicou-se um questionário com 15 questões objetivas em mães de pacientes portadores de autismo que são atendidos no Centro de Neuropediatria da Universidade Federal do Paraná (UFPR). A análise de dados foi realizada com o auxílio do programa computacional SPSS v.20.0.

Resultados:Foram obtidos 126 questionários e encontrou-se que apenas 2,4% das mães desenvolveram DMG durante a gestação de seus filhos autistas, sendo que destas, todas referiram um controle adequado. Quanto à HAS pré gestacional, apenas 1,6% das mulheres eram portadoras desta condição e 10,3% desenvolveram DHEG, sendo que 46% consideraram o controle adequado, 15% inadequado e o restante não sabia informar.

Conclusões:A quantidade de casos de DMG é um pouco inferior ao encontrado na população geral e bem abaixo do descrito em estudos que não encontraram relação do DMG com o autismo quando comparado a um grupo controle. Já a ocorrência de DHEG, é semelhante tanto a estudos que demonstraram significância estatística entre essa condição e a gênese do autismo, quanto estudos que não chegaram a esse resultado quando comparado ao grupo controle. Concluímos que a prevalência de DHEG foi maior do que DMG no grupo estudado. Porém, chegaremos a resultados mais relevantes ao comparar com um grupo controle para avaliar a significância estatística destes fatores na gênese do autismo.

Palavras-chave:Autismo. Autismo infantil. Transtornos do neurodesenvolvimento. Diabetes gestacional. hipertensão gestacional.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador
    3. Colaborador