Artigo

AVALIAÇÃO DA AÇÃO DA LACTOFERRINA EM BIOFILME PRODUZIDO POR CANDIDA NÃO ALBICANS PROVENIENTES DE ISOLADOS CLÍNICOS

GORLA, Raquel Kubiack1; OLIVEIRA, Ana Júlia3; FARINAZZO, Eduardo Silva3; GOMES, Hudson3; SANTOS, Fabiana Seifert3; SILVA, Marinez Kimura P.3; ABE, Aline Tancler Stipp2;

Resumo

Introdução:A lactoferrina é um componente da imunidade inata, que desempenha papel importante na proteção das mucosas contra diversos micro-organismos patogênicos. Estudos demonstraram que a lactoferrina pode atuar como modulador da resposta inflamatória e imunológica. A ação antimicrobiana da lactoferrina envolve diversos mecanismos, sendo assim eficaz contra alguns patógenos: fungos, vírus e bactérias. Esta ação vem pesquisando a sua capacidade de sequestrar o íon Fe3+, limitando a utilização deste nutriente por patógenos. O número de infecções nosocomiais causadas pelo gênero Candida spp. tem aumentado, sendo a espécie Candida albicans o patógeno mais frequentemente isolado, no entanto dados recentes apontam um aumento na frequência de infecções fúngicas por espécies não albicans. As razões para essa inversão no padrão de distribuição podem estar fortemente relacionadas com o potencial de virulência destes microrganismos.

Objetivo:Avaliar a ação antifúngica da lactoferrina em biofilmes formados por Candida não albicans.

Metodologia:As amostras foram obtidas de resíduos do Laboratório Clínico de um hospital terciário da cidade de Londrina e foram identificadas como: 13 isolados de Candida albicans, 7 Candida tropicalis, 6 Candida parapsilosis e 3 Candida krusei. As espécies foram armazenadas e cultivadas em placas de sabouraud a 37ºC por 24h. O preparo do inóculo foi realizado pela escolha de cinco colônias de cultura suspensos em 1 ml de RPMI 1640 com pH 7,0. Após agitados em vórtex, foi feita a contagem na câmara de Neubauer.

Resultados:Diante dos resultados da contagem celular, foi realizado ajuste celular para a produção de biofilme. Após o ajuste celular, 200 µL da suspensão de cada amostra foram depositados em 9 poços por linha, em uma placa de 96 poços, que foi isolada e colocada em estufa a 37ºC por 24h. A lactoferrina foi importada em cápsulas de 250 mg. Para a obtenção da concentração desejada de 200 mg/mL foram diluídas 4 cápsulas de lactoferrina em 5 ml de RPMI 1640. A suspensão foi deixada em repouso por 24h para sedimentação e, após, diluída em metade da concentração por 9 vezes, iniciando em 200 mg/mL. Após a formação do biofilme a partir dos 200 µL de suspensão, foram retirados 100 µL da suspensão, sem contato com o biofilme formado e introduzidos 100 µL de cada concentração de lactoferrina. A placa foi incubada a 37ºC por 48h. Cada suspensão contendo biofilme e lactoferrina foi misturada e foram retirados 10 µL de cada suspensão, colocados em placa de sabouraud, e estriada com alça estéril. As placas de sabouraud foram incubadas a 37ºC por 24h. A leitura foi realizada a partir da avaliação do crescimento fúngico na placa de sabouraud A lactoferrina não apresenta ação antifúngica isoladamente em biofilmes de espécies de Candida não albicans em concentrações menores ou iguais a 200 mg/mL de lactoferrina.

Conclusões:No caso da inibição de biofilmes produzidos pelas espécies de fungos Candida parapsilosis, Candida krusei e Candida tropicalis, a lactoferrina como uso exclusivo para tratamento mostrou-se ineficaz em concentrações economicamente viáveis e com viscosidade aceitável.

Palavras-chave:Lactoferrina. Candida. Biofilme. Inibição.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador
    3. Colaborador