Artigo

EFEITO DA UREMIA NA ATIVAÇÃO PLAQUETÁRIA E NA MODULAÇÃO DE MONÓCITOS HUMANOS

BIESUZ, Roberto Fernandes1; BONAN, Natalia Borges3; SILVA, Caroline De Carvalho3; AMARAL, Andrea Novais Moreno2;

Resumo

Introdução:Na doença renal crônica (DRC) a baixa taxa de filtração glomerular ocasiona o acúmulo de compostos tóxicos, que quando biologicamente ativos são chamados e toxinas urêmicas, na circulação resultando em uma sintomatologia complexa e variável. Pacientes com DRC sofrem disfunção imune severa caracterizada por um alto risco de complicações em infecções e uma resposta falha a vacinação. Os monócitos, células do sistema imune inato, podem ser caracterizados em três subpopulações: clássicos, intermediários e não clássicos. Os intermediários (CD14++CD16+) são conhecidos pelo seu perfil inflamatório, com alta secreção de citocinas pró inflamatórias. A indução de CD16 em monócitos parece estar relacionada com a ativação de plaquetas, mas a forma como isso ocorre ainda não foi bem descrita.

Objetivo:Com isso, o objetivo do presente estudo foi avaliar a ativação plaquetária, formação de agregados entre monócitos e plaquetas (AMP) e relacionar com a indução de CD16 em monócitos em indivíduos saudáveis incubados ou não com o plasma de pacientes com DRC em hemodiálise (HD).

Metodologia:Para avaliar os monócitos e plaquetas, sangue de indivíduos saudáveis (CTRL, n=8) e pacientes em hemodiálise (HD, =8) foi coletado em tubos contendo citrato de sódio. O sangue foi imunomarcado com anticorpo CD86, CD14, CD16, CD61 e CD62-P e analisado por citometria de fluxo. Para avaliar o efeito do plasma urêmico em células saudáveis, sangue de CTRL e HD foi centrifugado e o plasma do CTRL foi trocado com o plasma de HD (células CTRL/plasma HD) ou apenas devolvido ao tubo original (CTRL sham) e incubado por 24h em estufa (37ºC – 5% CO2). Após incubação as células foram marcadas como citado acima. Todas as análises foram realizadas por citometria de fluxo.

Resultados:Nossos resultados mostram que na modulação de monócitos, houve um aumento significativo do número de intermediários (33,77%15,01, P<0,005) e não clássicos (7,46%2,08, p< 0,005), tratados com plasma HD, quando comparados ao controle (15,73% 9,62 e 4,15%2,78; p<0,005). Na avaliação da ativação plaquetária, pela expressão de CD62-P, não houve resultados significativos com o uso do plasma de pacientes em hemodiálise. Os resultados obtidos na análise de agregados monócito-plaqueta apresentaram dados significativos para a subpopulação de monócitos clássicos (25,66% ± 13,6%), quando incubados com o plasma HD, comparados ao controle (10,98% ± 4,18%).

Conclusões:Conclui-se que o ambiente urêmico promove a diferenciação de monócitos clássicos em intermediários e não clássicos; e que a formação de agregados monócito-plaqueta parece não interferir nessa diferenciação.

Palavras-chave:Doença Renal Crônica. Inflamação. Monócitos. Plaquetas. Ativação.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador
    3. Colaborador