Artigo

A ÉTICA DA RESPONSABILIDADE COMO “FREIO VOLUNTÁRIO” DA OBJETIFICAÇÃO DO HOMEM PELA TÉCNICA SEGUNDO HANS JONAS

RAZZOTTO, Mayara1; SGANZERLA, Anor2;

Resumo

Introdução:A autenticidade da natureza humana e extra-humana encontram-se ameaçadas pelos desejos utópicos do homo faber preocupado em melhorar a atual condição humana e da natureza extra-humana em sua volta com o uso da tecnociência. Trata-se de uma capacidade tecnocientífica extremamente potencializada que se tornou capaz de realizar os antigos sonhos e desejos humanos, corrigindo, desse modo, as possíveis imperfeições humanas.

Objetivo:Esta pesquisa busca analisar como os fundamentos da ética da responsabilidade propostos por Hans Jonas podem orientar a civilização tecnológica a buscar um freio voluntário para os avanços da tecnociência para que a mesma não venha a ameaçar a autenticidade da vida humana e extra-humana no presente e no futuro.

Metodologia:analítico e crítico-reflexivo.

Resultados:Embora o homem tenha pensado em usar da tecnociência para dominar o mundo, afirma Jonas que o próprio homem foi vítima desse processo, pois foi transformado em objeto da tecnociência. Reduzido a objeto da técnica, o homem perdeu sua autonomia sobre todo o processo. Se no passado recente o entendimento era de que a natureza humana e extra-humana eram imodificáveis pelo agir humano, na atualidade a tecnociência mostra-se capaz de superar todas as antigas limitações, como uma espécie de obrigação moral, em vista de preparar o homem para os novos tempos.

Conclusões:Para superar essa realidade de modo que o homo sapiens possa recuperar a sua autonomia, de modo a tornar-se capaz de repensar a sua existência e seu papel dentro da natureza, bem como uma ética para a civilização tecnológica, é preciso reinserir o homem dentro da natureza, de modo que ele assuma o seu papel de guardião da natureza, visto que ele é parte e fruto da mesma, e como co-pertencente a natureza tem que exercer sua responsabilidade para que a humanidade exista no dia de amanhã de modo autêntico. Trata-se, desse modo, de fazer uma opção em defesa da autenticidade da vida, acima de qualquer desejo utópico da civilização tecnológica, preocupado em buscar a autossuperação de si mesmo com uso da capacidade da técnica. Se no passado a técnica não representava uma ameaça ao homem diante da sua pequenez, na atualidade os perigos da técnica moderna não estão em sua incapacidade de realização, mas sim em seu sucesso, o que torna a ética ainda mais necessária para proteger, como diz Jonas, uma imagem de homem. Para fazer frente a esse impulso, Jonas recorre a heurística do temor, a prudência, a moderação, a cautela, como o freio voluntário às utópicas promessas da tecnociência. Afirma o pensador que é possível viver sem um bem supremo, mas não com o mal extremo.

Palavras-chave:Autenticidade. Ética. Técnica. Hans Jonas.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador