Artigo

CAROLINA DE JESUS: REPRESENTAÇÕES DE GÊNERO E DE CLASSE SOCIAL NA OBRA QUARTO DE DESPEJO: DIÁRIO DE UMA FAVELADA (1955-1960)

STORI, Jessica Brisola1; ZECHLINSKI, Beatriz Polidori2;

Resumo

Introdução:Carolina Maria de Jesus foi uma escritora improvável, como a chamou Joel Rufino dos Santos. Ao escrever seu primeiro livro na favela do Canindé, em São Paulo, a escritora demonstrou transgredir limites sociais, econômicos, políticos e canônico-literários. Expôs em Quarto de Despejo: diário de uma favelada as condições em que viviam os moradores da favela; a fome, as ausências materiais, a solidão e a vontade em firmar-se escritora são uns dos temas trazidos por Carolina a partir de sua poética vibrante, baseada em sua experiência como mulher negra. Do contato com seu livro surgiu o interesse em auxiliar o resgate da autoria negra e demonstrar as possibilidades de diálogo com a pesquisa histórica à luz dos Estudos de Gênero e da escrita da História das Mulheres.

Objetivo:Nosso objetivo principal foi destacar e analisar as representações sociais de gênero e de classe social no livro Quarto de Despejo: diário de uma favelada de 1955 a 1960. Desse norte principal, elencamos alguns objetivos específicos, como destacar a identificação de Carolina de Jesus com a classe letrada, buscando pensar a quem Carolina endereçava seus escritos; interseccionar as representações de gênero e de classe social encontradas em Quarto de Despejo; e dialogar as representações destacadas com o contexto histórico e seus discursos hegemônicos de gênero.

Metodologia:A partir do entendimento de que representações sociais são as visões de mundo carregadas das suas inúmeras influências externas (culturais, sociais, políticas, econômicas etc) e internas (subjetividades), e de que elas não correspondem ao fato em si e nem a completa mentira, mas sim, de pontos de vistas únicos, foi possível utilizar esse método de pesquisa para a análise de Quarto de Despejo. Assim, para melhor compreensão do que no livro constava, selecionamos as passagens que correspondiam às representações de gênero e de classe social e colocamos em diálogo com o discurso hegemônico de gênero, com as condições das mulheres e homens pobres do Brasil da década de 1950, para então podermos chegar aos resultados e conclusões.

Resultados:Chegamos à conclusão, portanto, que Carolina de Jesus se identificava com a classe letrada e para ela endereçava seus escritos. Tinha objetivo de denunciar as péssimas condições em que viviam os favelados do Canindé. Sob o viés de gênero e de classe encontramos alguns aspectos, como a violência contra a mulher, descrita por Carolina como resultado das precariedades em que viviam as pessoas pobres. A autonomia da mulher pobre e negra, a maternidade vivida sozinha, as ausências burocráticas do casamento e a liberdade sexual também são temas em Quarto de Depsejo.

Conclusões:Dessa forma, podemos concluir que as mulheres e homens de Quarto de Despejo viviam numa dinâmica social alheia ao discurso de gênero e à moralidade do período, mesmo que tentassem seguir os padrões eram impedidas/os pelas necessidades de sustento e precariedades em que viviam.

Palavras-chave:Representações Sociais. Gênero. Classe Social. Autoria feminina. Carolina de Jesus.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador