Artigo

AVALIAÇÃO DA EFICÁCIA DE UM PROGRAMA DE ESTIMULAÇÃO COGNITIVA EM ESCOLARES

ZAIONZ, Gabriela1; PARANA, Camila Maia De Oliveira Borges2;

Resumo

Introdução:Estudos indicam a possibilidade de estimulação cognitiva em crianças a partir de programas específicos, que podem incluir atividades cotidianas e lúdicas, individuais ou coletivas e assim, desenvolver as funções cognitivas superiores, além de proporcionar ganhos no desempenho escolar. Nesta pesquisa foi investigada a eficácia de um programa de estimulação cognitiva oferecido em um escola particular de Curitiba, a qual utiliza como método uma sessão semanal de 90 minutos com a prática do Soroban (ábaco japonês) e jogos coletivos.

Objetivo:Esta pesquisa teve como objetivo comparar o desempenho em instrumentos neuropsicológicos dos escolares que participam do programa em questão em dois momentos distintos, além de comparar o desempenho dos escolares que participam das sessões de estimulação (GRUPO 1) com escolares que não praticam a estimulação (GRUPO 2).

Metodologia:Identificou-se que os processos cognitivos estimulados durante as sessões do programa de estimulação cognitiva são a memória, atenção, velocidade de processamento e linguagem. Para a avaliação das funções estimuladas foi composta uma bateria neuropsicológica, formada pelos seguintes instrumentos: RAVLT, TAC, STROOP e Fluência Verbal. A bateria neuropsicológica foi aplicada nos dois grupos em uma primeira avaliação, em novembro/2016 e após 3 meses de intervenção ocorreu a segunda avaliação, em junho/2016, com os mesmos escolares. Para fins comparativos, selecionou-se dois grupos homogêneos que compuseram a amostra de 5 escolares no Grupo 1 e 5 escolares no Grupo 2. O Grupo 1 teve como média de idade 12 anos (DP=0,71) e 7 anos de escolaridade (DP=0,71), e o Grupo 2 teve média de 12,6 anos de idade (DP=1,34) e média de escolaridade de 7,6 anos (DP=1,34).

Resultados:Os resultados da comparação da bateria neuropsicológica não indicaram diferenças significativas no desempenho dos escolares do Grupo 1 na primeira para a segunda avaliação, bem como, na comparação entre Grupo 1 e Grupo 2 na segunda avaliação. Foi encontrada uma diferença significativa na comparação do Grupo 2 na primeira e segunda avaliação em memória verbal episódica e aprendizagem por repetição, que pode ser explicada por um desenvolvimento natural das capacidades cognitivas. Além disso, foram coletados dados qualitativos, através de um questionário sociodemográfico respondido pelos responsáveis dos escolares que participam do programa de estimulação cognitiva. Os dados coletados através do questionário evidenciaram uma melhora acadêmica em matemática em 100% da amostra, além de 50% dos responsáveis relatarem melhoras em relação aos escolares em atividades que requerem autocontrole.

Conclusões:Desta forma, apesar de não terem sido encontradas diferenças estatisticamente significativas com relação a eficácia do programa de estimulação cognitiva, foram encontradas melhoras qualitativas que podem estar relacionadas as atividades praticadas durantes as sessões de estimulação. Através dessa pesquisa, foi possível investigar os métodos utilizados por um programa de estimulação cognitiva e verificar sua eficácia através de instrumentos neuropsicológicos, o que pode auxiliar futuras pesquisas relacionadas ao tema, tendo em vista que, há um grande número de programas semelhantes sendo implantados em diversas escolas e poucas pesquisas em nossa sociedade acerca do tema.

Palavras-chave:Estimulação cognitiva. Funções cognitivas. Neuropsicologia.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador