Artigo

FUNÇÕES EXECUTIVAS: BENEFÍCIOS DA SUA ESTIMULAÇÃO PARA O PROCESSO DE APRENDIZAGEM

ARNEKI, Gleici Cristina dos Santos1; PARANA, Camila Maia De Oliveira Borges2;

Resumo

Introdução:A literatura é diversa nas definições para aprendizagem, entretanto não se questiona a participação do sistema nervoso central neste processo, através da integração das funções cognitivas e da promoção da melhor adaptação do indivíduo ao meio. Dentre as funções cognitivas, as funções executivas compreendem o planejamento, iniciação, seguimento e monitoramento de atividades complexas que visam um determinado fim. Fazem parte das funções executivas: controle inibitório, flexibilidade cognitiva, planejamento, memória operacional, fluência e tomada de decisão. Estudos indicam a possibilidade de estimulação das funções cognitivas e executivas por meio de programas específicos. Atualmente, diversos métodos de estimulação destas funções estão sendo adotados em escolas. Apesar dos inúmeros benefícios qualitativos apontados, há uma carência científica acerca dos reais ganhos cognitivos.

Objetivo:Desta forma, esta pesquisa pretendeu avaliar a eficácia de um programa de estimulação cognitiva em escolares, oferecido em uma escola particular de Curitiba.

Metodologia:O programa de estimulação cognitiva combina o ensino do Soroban (ábaco japonês), jogos de tabuleiro e jogos manuais criativos. O objetivo da pesquisa foi comparar o desempenho dos alunos em tarefas neuropsicológicas em dois momentos diferentes, com o intervalo de 13 sessões de estimulação. Para isso foi desenvolvida uma bateria de avaliação neuropsicológica utilizando-se de instrumentos complementares compatíveis com as funções cognitivas estimuladas no programa. A amostra foi composta por dois grupos com 5 integrantes cada, sendo o Grupo 1 participante da estimulação cognitiva e o Grupo 2 os participantes do grupo controle.

Resultados:Os grupos foram pareados por sexo, idade e nível de escolaridade. O teste Mann-Whitney indicou que não houve diferença significativa entre a idade dos participantes (p = 0,55) assim como em relação a escolaridade. Ao contrário do esperado, o Grupo 1 não se diferenciou do Grupo 2 (controle), após as 13 sessões de estimulação. Apenas dois instrumentos (Stroop e TMT parte B) / duas funções executivas (controle inibitório e flexibilidade cognitiva) apresentaram diferenças significativas de uma testagem para outra. Inesperadamente o grupo que apresentou melhora significativa nas funções de flexibilidade cognitiva e controle inibitório foi o Grupo Controle.

Conclusões:A melhora da flexibilidade cognitiva pode ser justificada com base no próprio desenvolvimento infantil. Os resultados obtidos podem ser considerados importantes, no sentido de contribuir para estudos sobre Funções Executivas e, para a relação da sua estimulação com benefícios à aprendizagem, visto que a literatura é escassa em relação a este assunto. Além disso, estudos que abordam esta temática podem contribuir para novas intervenções e novos métodos de estimulação.

Palavras-chave:Funções executivas. Aprendizagem. Estimulação cognitiva.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador