Artigo

CUIDADOS PALIATIVOS: PERCEPÇÃO DOS MÉDICOS EM RELAÇÃO À PRESCRIÇÃO DA ALIMENTAÇÃO ARTIFICIAL

MARTINS, Jamylle1; CORRADI, Marisa Inês3; PERINI, Carla Corradi2;

Resumo

Introdução:A alimentação pode auxiliar na evolução favorável do paciente em cuidados paliativos permitindo preservar a sua qualidade de vida. Entretanto, os efeitos indesejáveis das técnicas nutricionais, em especial as artificiais, podem ser fonte de degradação da qualidade de vida. Em contrapartida, sua ausência pode ser interpretada pelos doentes, familiares e cuidadores como abandono, já que o alimento carrega uma forte conotação de fonte de vida e está envolto nos diversos significados, nos âmbitos cultural e social.

Objetivo:Analisar a percepção do profissional médico em relação à prescrição de alimentação artificial para pacientes em cuidados paliativos. Especificamente, analisar valores e opiniões dos médicos a respeito da alimentação artificial, das práticas nutricionais e protocolos utilizados nas instituições e, suas percepções em relação aos significados da alimentação para a equipe multiprofissional, paciente e seus familiares.

Metodologia:Trata-se de uma pesquisa documental, exploratória, de abordagem qualitativa que utilizou como material os documentos transcritos de entrevistas realizadas com seis médicos de hospitais de Curitiba, no contexto de cuidados paliativos. Os dados coletados foram analisados utilizando-se a análise de conteúdo de Bardin.

Resultados:A análise resultou na elaboração de três categorias: “A alimentação artificial sob a perspectiva da bioética”; “A alimentação artificial sob a perspectiva biológica”; e “A alimentação artificial sob a perspectiva cultural”. Os conflitos éticos advêm do forte teor cultural que a alimentação carrega, de que esta seria uma necessidade básica e como tal deve ser mantida até o fim da vida. No entanto, é importante lembrar que a alimentação artificial é um procedimento e como tal acarreta riscos e deve ser utilizada quando há indicação. Assim, os médicos percebem-se em constante discussão com a equipe multiprofissional, principalmente a partir dos conflitos entre os princípios da beneficência e não maleficência. De forma geral, observa-se que os médicos se preocupam em respeitar a autonomia do paciente, em promover a dignidade deste, evitando um sofrimento prolongado em decorrência da alimentação artificial. Em relação à perspectiva biológica, foi observado, no conteúdo das entrevistas, muitos relatos em defesa da não indicação da alimentação artificial com base na fisiopatologia, sendo esta muito importante para os médicos respaldarem suas condutas. Além disso, percebeu-se a necessidade dos médicos de enquadrar ou utilizar protocolos para a prescrição da alimentação artificial com base no que o paciente em questão apresenta de sintomas e evolução do quadro. Finalmente, em relação à perspectiva cultural, os médicos percebem a complexidade desta e a consideram importante para discutir as condutas com a equipe multidisciplinar e os familiares.

Conclusões:Os médicos que trabalham com Cuidados paliativos, participantes deste estudo, mesmo sem a especialização na área, não possuem grandes problemas na prescrição ou na restrição do uso da alimentação artificial. No entanto, os médicos observam que a alimentação artificial, principalmente nos pacientes em cuidados paliativos que estão em uma situação de doença incurável avançada e em que o uso da alimentação artificial não é indicado, é fonte de bastante discussão ética dentro da equipe multidisciplinar e com os familiares.

Palavras-chave:Alimentação artificial. Cuidados paliativos. Bioética.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador
    3. Colaborador