Artigo

COMUNICAÇÃO NA AVALIAÇÃO E CONTROLE DA DOR EM CUIDADOS PALIATIVOS: PERCEPÇÕES DA ENFERMAGEM

PFUTZENREUTER, Katia Carreira1; MAJCZAK, Jéssica Aparecida3; CORRADI, Marisa Inês3; PERINI, Carla Corradi2;

Resumo

Introdução:A comunicação efetiva na avaliação e controle da dor em cuidados paliativos pode possibilitar um cuidado humanizado, estabelecendo um relacionamento interpessoal entre o profissional, paciente e família. Para tanto, a partir da concepção de “dor total”, Cicely Saunders ressalta que a dor deve ser abordada em seus aspectos bio-psico-social-espiritual, necessitado uma comunicação assertiva e global.

Objetivo:Analisar as percepções dos enfermeiros sobre a comunicação no contexto da avaliação e controle da dor com pacientes em cuidados paliativos. Especificamente, busca-se identificar os diferentes recursos de comunicação utilizados na avaliação e controle da dor dos pacientes em cuidados paliativos; identificar as dificuldades de comunicação na avaliação e controle da dor dos pacientes em cuidados paliativos; e pesquisar as estratégias de comunicação na avaliação e controle da dor.

Metodologia:Trata-se de uma pesquisa documental, exploratória, de abordagem qualitativa que utilizou como material os documentos transcritos de entrevistas realizadas com 16 enfermeiros de seis hospitais de Curitiba, no contexto de cuidados paliativos. Os dados coletados sobre a comunicação foram analisados utilizando-se a análise de conteúdo de Bardin.

Resultados:A análise dos dados resultou na elaboração de três categorias: ”comunicação não verbal”, “experiência singular da dor” e “comunicação verbal limitada a dor física”. Foi apresentado que o sofrimento psicológico do paciente somente foi percebido mediante a identificação de aspectos não verbais expressos pelo paciente. A dor é entendida como uma experiência singular, devendo sempre se acreditar no paciente. Entretanto, com aqueles pacientes que não conseguem se comunicar verbalmente, os enfermeiros relatam inseguranças e incertezas para a avaliação da dor. A dor é compreendida como quinto sinal vital, sendo uma forma de comunicação não verbal, mas a comunicação verbal não foi ampliada às dimensões psicológicas, sociais e espirituais, ficando limitada à dor física. De modo geral, a maioria dos relatos indicou a posição privilegiada da enfermagem na avaliação e controle da dor, pois geralmente estão mais presentes com o paciente, realizando um contato direto mais frequente em relação aos outros profissionais de saúde, porém essa presença deve ser qualificada para a compreensão do outro na avaliação e controle da dor.

Conclusões:A percepção dos enfermeiros entrevistados sobre a comunicação ainda é muito restrita, não abarcada a complexidade do fenômeno da dor, como é compreendido o conceito de dor-total, gerando incertezas e inseguranças na comunicação, bem como os aspectos espirituais e sociais não foram identificados por nenhum dos participantes.

Palavras-chave:Comunicação em saúde. Cuidados paliativos. Relações enfermeiro-paciente. Avaliação da dor.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador
    3. Colaborador