Artigo

AVALIAÇÃO DA DINÂMICA OVARIANA DURANTE A GESTAÇÃO DE MULAS (EQUUS MULUS) COMO RECEPTORAS DE EMBRIÃO EQUINO

CARDOZO, Daniela Portela1; MACAN, Rodrigo Chaves3; MENEGHINI, Camila3; MIQUELETTO, Marcela Maira3; MIQUELETTO, Marcela Maira3; CARDOSO, Nathália Gonçalves Hesketh3; SCHULZ, Mateus3; CAMARGO, Carlos Eduardo2;

Resumo

Introdução:Nos últimos anos o mercado de equídeos cresceu significativamente, e junto às biotecnologias da reprodução, em destaque especial, a transferência de embriões, sendo a técnica de reprodução assistida mais difundida na espécie equina. Com uma ampla procura dessa técnica e a dificuldade tanto em qualidade como em disponibilidade e valores das receptoras durante a estação reprodutiva, sugeriu-se utilizar outra espécie como receptoras, as mulas (Equus mulus). As mulas são animais híbridos resultantes do cruzamento entre o jumento (Equus asinus) com a égua (Equus caballus), possuindo 63 cromossomos, o que leva a uma incompatibilidade cromossômica as tornando estéreis. Segundo nossa revisão de literatura são pouquíssimos os trabalhos utilizando mulas como receptoras de embrião.

Objetivo:O objetivo do presente trabalho é comparar através da ultrassonografia a dinâmica ovariana da gestação de mulas receptoras de embrião equino, verificando o momento de aparecimento dos corpos lúteos acessórios e a quantidade destes comparando com éguas receptoras.

Metodologia:Quatorze embriões foram coletados de cinco éguas doadoras e os mesmos foram transferidos para dois grupos. Sete embriões foram transferidos para o grupo éguas receptoras e sete para o grupo mulas receptoras. Para a sincronização de doadoras e receptoras foram realizados os seguintes protocolos: no grupo mulas, 1 ml de 17 beta estradiol foi administrado no dia da ovulação da doadora, 2 dias depois, confirmando a presença de edema uterino, 5 ml de Altrenogest foi administrado por via intramuscular. Já no grupo éguas, as mesmas foram controladas por ultrassonografia até encontrar a receptora mais próxima da ovulação da doadora. O diagnóstico de gestação foi realizado por exames de ultrassonografia aos 10 dias após a ovulação da doadora e após o diagnóstico de gestação, a mesma foi acompanhada diariamente por ultrassom até os 60 dias nos quatorze animais. As variáveis avaliadas durante os exames ultrassonográficos foram: local da ovulação, diâmetro dos ovários, diâmetro do corpo lúteo acessório e seu aparecimento, e tamanho do maior folículo.

Resultados:Ambas as espécies apresentaram variações no diâmetro dos ovários, comparando o diâmetro entre as duas, as mulas possuíram ovários extremamente pequenos em relação às éguas (P?0,05). De acordo com o esperado, as mulas por serem acíclicas não apresentaram dinâmica ovariana e por essa razão ausência de corpo lúteo primário nos primeiros dias da gestação. No decorrer dos 60 dias avaliados, dois animais do grupo mulas apresentaram um crescimento folicular e formação de corpos lúteos acessórios enquanto nas éguas, por serem cíclicas, possuíram uma excelente dinâmica ovariana, bem como todas apresentaram corpos lúteos secundários, com variações no crescimento folicular e tamanho dos mesmos. A estatística foi realizada comparando médias com 95% de probabilidade com teste T de Student presumindo variâncias diferentes. 

Conclusões:O presente estudo conclui que a dinâmica ovariana durante a gestação das mulas acíclicas foi bem inferior quando comparadas às éguas do grupo éguas nas variáveis tamanho ovariano, população folicular e formação de corpos lúteos acessórios. Porém, esse resultado não impediu que as mulas mantivessem com sucesso a gestação.

Palavras-chave:Ovário. Gestação. Mulas. Éguas.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador
    3. Colaborador