Artigo

A ENTREVISTA FORENSE E A SUSPEITA DE ABUSO SEXUAL INFANTIL: ESTRUTURA E PROCESSO

SILVA, Jose Dyego Dos Santos1; WINTER, Celia Aparecida Ferreira Carta2;

Resumo

Introdução:O abuso sexual contra crianças e adolescentes distingue-se por acontecer principalmente em esfera privada e, por ser um crime que muitas vezes não deixa marcas físicas, o que não é igualmente verdadeiro, quando se avalia as marcas subjetivas advindas desta experiência. Os profissionais que realizam entrevistas com crianças e adolescentes convivem com o duplo desafio: de proporcionar condições para que estas reproduzam o que lhe aconteceu, com a recuperação da memória do evento em questão, e, ao mesmo tempo, tornar tal momento o menos traumatizante possível. Para que isto ocorra de modo satisfatório, são necessários procedimentos investigativos rigorosos que visem evitar os vários problemas que prejudicam e dificultam a confiabilidade do testemunho infantil.

Objetivo:Identificar a estrutura (forma) da entrevista forense em casos de suspeita de abuso sexual infantil, o processo pelo qual ela ocorre e investigar o perfil profissional e opinião de psicólogos, assistentes sociais ou médicos a respeito das principais dificuldades encontradas durante a entrevista forense.

Metodologia:Procedeu-se a revisão sistemática da produção científica sobre técnicas de entrevista para avaliação de abuso sexual infanto-juvenil nas bases de SciELO, LILACS, CAPES/MEC e Google Acadêmico. Essa revisão resultou na construção de um roteiro de questões, elaborado de acordo com os principais pontos encontrados na literatura e, posteriormente, aplicado aos profissionais que aceitaram fazer parte da pesquisa.

Resultados:Os profissionais são unânimes quanto a necessidade de formação especifica na área, convergem quanto ao uso de outros recursos para complementar a avaliação, como observação comportamental, pesquisa documental e procedimentos informais, embora o modo como eles usem esses recursos seja diverso.

Conclusões:O uso de técnicas inadequadas para a coleta das informações contidas na memória ou à falta de conhecimento do profissional em relação a aspectos do desenvolvimento infantil que interferem no fenômeno investigado, poderá resultar em problemas na qualidade do relato e, por conseguinte, na diminuição da sua credibilidade e valor probatório. Sabendo-se das dificuldades e desafios relacionados à investigação desse tema tão complexo, a presente pesquisa se faz pertinente devido à necessidade de conhecimento a respeito da atual situação dos profissionais brasileiros frente à investigação do abuso sexual a crianças, mediante discussão das técnicas de entrevista pesquisadas nos últimos anos. A escassez de profissionais nesta área foi um dado relevante obtido na pesquisa, bem como, corroborou-se que, a condução adequada de entrevistas precisaria ser melhor atrelada ou integrada à serviços de atendimento.

Palavras-chave:Abuso sexual. Avaliação forense. Entrevista. Psicologia

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador