Artigo

TANATOLOGIA E PSICOLOGIA HOSPITALAR: UM DIÁLOGO NECESSÁRIO

BELTRAO, Julianna Rodrigues1; AMORIM, Cloves Antônio De Amissis3; MENEGATTI, Claudia Lucia2;

Resumo

Introdução:O psicólogo que desenvolve suas atividades no hospital, frequentemente confronta-se com a morte de seus pacientes e as repercussões geradas nos familiares e na equipe.

Objetivo:O estudo tem como objetivo analisar a contribuição da Tanatologia para a atuação do psicólogo hospitalar.

Metodologia:Participaram 10 psicólogos, selecionados por uma amostra por conveniência. A coleta de dados foi realizada em nove hospitais em Curitiba, PR. Os instrumentos utilizados foram um questionário semiestruturado, elaborado pelos pesquisadores, e a versão adaptada para o português do Inventário de Estratégias de Coping de Folkman e Lazarus. Analisou-se os dados do questionário por meio do Discurso do Sujeito Coletivo.

Resultados:Encontrou-se que a maioria da amostra era do sexo feminino (80%), com idade média de 31 anos (±4,4). Percebeu-se que o tempo médio de graduação, 8 anos (± 3,8), é próximo ao de atuação na área hospitalar, 7 anos (±3,4). Mais da metade (60%) realizam atividades de supervisão e 3 psicólogos também possuem consultório particular. As linhas teóricas predominantes foram Terapia Cognitivo-Comportamental (30%) e Psicanálise (30%). Identificou-se que nenhum dos participantes possuía formação oficial em Tanatologia e que metade (50%) reconhece lacunas sobre a abordagem da morte no curso de graduação, pois, em alguns casos, permaneceu sem temas específicos, plano prático e somente na disciplina de Psicanálise. Os autores mais citados foram: Kübler-Ross e Kovács. Referente às dificuldades profissionais na atuação com pacientes terminais elaborou-se os seguintes discursos: 1) Relacionadas à família; 2) Do próprio profissional psicólogo; 3) Com a equipe, suas atitudes e o sofrimento impactado pela perda; 4) De nível institucional; 5) Associadas à doação de órgãos e a banalidade, bem como falta de sensibilidade presente em algumas equipes. Nas dificuldades pessoais estruturou-se três discursos: 1) Não tenho dificuldades; 2) Quando ocorre a identificação, seja com a história do paciente ou com alguma figura de configura divina, porém com a experiência tal processo vai sendo superado; 3) Relativo a resolução dos próprios lutos, igualmente a necessidade de supervisão e terapia. A correção do inventário demonstrou que diante da terminalidade, as estratégias de enfrentamento mais usadas pelos profissionais são Resolução de Problemas (70,83%) e Suporte Social (66,11%), enquanto as menos utilizadas são Afastamento (19,52%) e Fuga-Esquiva (21,67%).

Conclusões:Nota-se que os participantes reconhecem adequadamente autores relevantes da Tanatologia, porém não possuem formação nessa área. Os profissionais utilizam estratégias voltadas diretamente ao estímulo estressor. Ressalta-se que alguns dos dados apresentados podem ser considerados pioneiros. Torna-se necessário o aperfeiçoamento da temática nos cursos de graduação na área da saúde, de forma a preparar o profissional, minimizar as dificuldades frente à situações de terminalidade e ensinar mecanismos de enfrentamento, de maneira a reduzir o impacto e o sofrimento dos envolvidos.

Palavras-chave:Psicologia Hospitalar. Morte. Tanatologia. Estratégias de enfrentamento.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador
    3. Colaborador