Artigo

O PROTAGONISMO DAS MULHERES NA CONSTRUÇÃO NA IGREJA NO BRASIL ENTRE OS SÉCULOS XIX E XX (1920-1960)

BONATO, Clarice Nesi1; PERETTI, Clelia2;

Resumo

Introdução:O presente trabalho situa-se no âmbito dos estudos de gênero, história das mulheres e atuação dos movimentos feministas nos anos 1920-1960. A delimitação do período histórico está atrelada a questão da participação da mulher na Igreja Católica no Brasil, mais especificamente na Igreja de Curitiba. Esta pesquisa justifica-se pela necessidade de dar visibilidade às mulheres tidas como sujeitos marginalizados dentro do corpo social e eclesial. A emancipação feminina e sua efetiva participação na sociedade envolveu interlocutores da ala conservadora da sociedade, progressistas e grupos feministas. O discurso católico exerceu um grande papel no combate aos avanços que a vida moderna passara a exigir das mulheres e das mudanças em torno do lugar social e de sua função nos diversos setores da sociedade.

Objetivo:O objetivo geral é estudar o protagonismo feminino e sua relevância na trajetória da Igreja no Brasil, de modo especial na Igreja de Curitiba nos anos 1920-1960. Os objetivos específicos são: levantar documentos, estudos e pesquisas que propiciem informações em prol do protagonismo das mulheres na Igreja de Curitiba e que possibilitem conhecer o período histórico e social dos anos de 1920-1960; averiguar as figuras femininas em destaque e seu perfil; investigar o papel social da mulher, campos de atuação, ministérios, ofícios e funções a ela delegadas pela Igreja.

Metodologia:Para a realização desta pesquisa optou-se pela abordagem qualitativo-exploratória, com pesquisa bibliográfica e documental.

Resultados:A pesquisa possibilitou identificar os germes iniciais do protagonismo da mulher, sua relevância na trajetória da Igreja, seu pensamento e o imaginário criado sobre o ideal feminino de mãe, mulher, trabalhadora e cidadã adequando aos propósitos políticos, sociais e morais da época. Da nobre tarefa de formar o homem, à instrução da mulher para o lar, para o casamento, à sua profissionalização como professora, empenhada em práticas caritativas, de assistência social e no mundo do trabalho.

Conclusões:Duas caracterizações da figura feminina emergiram em nossa pesquisa: Clotildes ou Marias: Clotilde é laica, assim como é laica a República; Maria traz em si a doutrinação, a moral e a educação feminina católicas, representando o clero e as instituições cristãs, tais como: Arquiconfraria das Mães Cristãs e a Associação e Oficinas de Caridade Santa Rita na cidade de Curitiba. A mulher moderna representada pela mulher livre e emancipada em produtos, na moda, na publicidade e no cinema, foi-lhe permitido assumir uma função pública, mas sem abandonar o cuidado com o lar, seu papel social primordial. Embora a Igreja reconhecesse que a mulher poderia desempenhar outras funções, esta foi uma conquista apoiada pelo Vaticano II, que sinalizou um marco histórico da abertura da Igreja Católica à renovação, a uma maior liberdade e compromisso com questões pertinentes à condição da mulher, sua sexualidade e relação familiar.

Palavras-chave:Mulher. Trajetória histórica. Figuras femininas.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador