Artigo

CARTOGRAFIAS LITERÁRIAS E GESTÃO URBANA NA AMÉRICA LATINA: ANALOGIAS ESPACIAIS A PARTIR DE OBRAS E DE CIDADES SELECIONADAS

SILVA, Caroline Novochadlo1; MASSUCHETTO, Manoela3; ULTRAMARI, Clovis2;

Resumo

Introdução:No contexto da transferência das ideias no mundo urbano, esta pesquisa surge como uma tentativa de aproximação de dois mundos à primeira vista distantes, mas possivelmente complementares: a literatura e a cidade.

Objetivo:Por meio de um processo interdisciplinar, objetiva-se exemplificar a viabilidade do uso de narrativas literárias como método para o estudo do urbano, a categorização de citações relativas a descrição do espaço e subsequentes representações gráficas dessas informações.

Metodologia:Para tanto, estabelece-se o recorte geográfico da América Latina, selecionando-se cinco obras literárias de quatro autores diferentes: Mário Benedetti (Uruguai), com “A borra do café” (1992); Jorge Luis Borges (Argentina), com “Atlas” (1984); Mario Vargas Llosa (Peru), com “A cidade e os cachorros” (1962) e “Tia Julia e o escrevinhador” (1977); e Gabriel García Márquez (Colômbia), com “Cem anos de solidão” (1967). Após a contextualização da vida e produção desses autores, estabelecendo um paralelo temporal entre suas biografias e o enquadramento histórico das cinco obras selecionadas, buscam-se citações relacionadas à cidade. Analisam-se percursos e compartimentos urbanos descritos nas narrativas, comparando, por meio de imagens de satélite (Google Earth), as características de cada cidade à época frente à realidade atual.

Resultados:Esse processo de leitura e análise resulta em um mapa para cada narrativa, indicando espacialmente as menções ao espaço destacadas, subsequente categorização em quatro diferentes tipologias: sensorial/memorial, sentimental, espaço físico literal e decisões de planejamento. Esses produtos permitiram identificar a relação pessoal de cada autor com as áreas citadas, transportando seus cotidianos urbanos às narrativas.

Conclusões:Destaca-se, então, a importância do espaço literário como uma possibilidade de se compreender o espaço real, seja por meio da composição de um mero cenário ou conferindo-o a importância de personagem (indissociando enredo de seu contexto físico/geográfico). Isso ocorre inclusive quando se trata de uma cidade ficcional (“Cem anos de solidão” – em que a cidade fictícia de Macondo auxilia na interpretação do contexto urbano de Aracataca, Colômbia), ou quando as menções estão dispersas por mais de uma cidade (como em “Atlas”). A literatura, então, se confirma como caminho metodológico viável nos exemplos desta investigação.

Palavras-chave:Cidade e Literatura. Interdisciplinaridade. Transferência de ideias. Cartografias literárias. América Latina.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador
    3. Colaborador