Artigo

COLETA DE DADOS DE PRONTUÁRIO DE PACIENTES RENAIS CRÔNICOS SUBMETIDOS À AVALIAÇÃO COGNITIVA

FERNANDES, Joao Pedro de Almeida1; BAECHTOLD, Thabata3; GUEDES, Murilo3; FREGADOLLI, João Henrique3; CHAIBEN, Viviane Bernardes3; MORAES, Thyago Proença De3; BELTRÃO, Julianna3; FOLTRAN, Giovanna3; BAENA, Cristina Pellegrino2;

Resumo

Introdução:A prevalência de doença renal crônica (DRC) está aumentando e pode afetar o risco de demência, encurtando sua fase pré-clínica. No entanto, a associação potencial entre taxa de filtração glomerular (TFG) e desempenho cognitivo não é bem conhecida.

Objetivo:Estudar a associação entre função renal e déficit cognitivo nos pacientes portadores de DRC do ambulatório do Hospital Nossa Senhora da Luz (HNSL).

Metodologia:Este foi um estudo transversal, realizado de abril a setembro de 2016 no serviço de Nefrologia de um hospital de referência. Foram critérios de exclusão: analfabetismo, déficit visual, hipoacusia, uso de medicamentos que afetassem a cognição ou de uso psiquiátrico. Foram coletadas informações sobre exames laboratoriais recentes. Os pacientes foram classificados em três categorias, conforme a sua taxa de filtração glomerular, calculada a partir da fórmula CKD-EPI: categoria 1 com TFG menor ou igual a 30ml/min/1.73m², categoria 2 com valores entre 30,1 e 60ml e categoria 3 acima de 60ml. Os pacientes foram submetidos a uma série de testes cognitivos, sendo utilizadas as seguintes ferramentas: Trail Making Test partes A e B (TMT-A e B), memória anterógrada, fluência verbal e Mini Exame do Estado Mental (MEEM). Análise de variância (ANOVA) ou teste de Kruskall Wallis e Qui-quadrado foram utilizados para comparar médias e proporções em categorias de função renal. Nos modelos de regressão linear, variáveis contínuas do escore da função cognitiva foram consideradas como variáveis dependentes, enquanto que os grupos de função renal foram considerados variáveis explicativas. O grupo com TFG> 60ml/min foi o de referência e os modelos foram ajustados para idade, alfabetização, sexo, diabetes e uso de álcool.

Resultados:O total de pacientes avaliados foi de 330, sendo 84 excluídos pela presença de critérios de exclusão e 6 pela ausência da dosagem de creatinina sérica. Assim, um total de 240 pacientes foram incluídos no estudo e separados conforme os seus níveis de TFG, tendo obtido as pontuações médias para cada categoria nos testes cognitivos. No MEEM a média da pontuação foi de 26 para a categoria 1, 25 para a 2 e 26,5 para a 3 (máximo de 30 pontos). No teste de memória anterógrada a média da pontuação foi de 6 para todas as categorias (máximo de 7 pontos). A média no teste de fluência verbal foi de 15 palavras para a categoria 1, 15 para a 2 e 16 para a 3. O tempo médio utilizado para realização do TMT-A foi de 66,6s para a categoria 1, 60,9s para a 2 e 50,8s para a 3 (p = 0,016). Na realização do TMT-B foi de 162,4s para a categoria 1, 128,6s para a 2 e 92,7s para a 3 (p < 0,001). Foi encontrado, portanto, que a população com menor TFG necessitou de maior tempo para realização do TMT A e B.

Conclusões:A TFG mais baixa está associada ao pior desempenho cognitivo medido por um teste de desempenho executivo independentemente da idade, educação, sexo, diabetes e uso de álcool em uma população baseada em clínicas.

Palavras-chave:Disfunção renal. Demência. Déficit cognitivo.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador
    3. Colaborador