Artigo

CUIDADO NUTRICIONAL NA ATENÇÃO DE MÉDIA COMPLEXIDADE EM SAÚDE PARA DOENÇA RENAL CRÔNICA

ORSATTO, Gian Carlo Semmer1; FARINHA, Larissa3; BERNADELLI, Angela3; RIBAS, Maria Teresa Gomes De Oliveira3; LEINIG, Cyntia Erthal2;

Resumo

Introdução:As doenças crônicas não transmissíveis são responsáveis por cerca de 60% das causas de mortes em todo mundo. Para combater esse problema, o Ministério da Saúde elegeu as “Doenças Renocardiovasculares” como um dos eixos temáticos de prioridade para a organização do cuidado em saúde. As diretrizes da Linha de Cuidado da Doença Renal Crônica (DRC) visam à manutenção da função renal e, quando a progressão é inexorável, à lentificação na velocidade de perda da função renal, integrando a atenção primária à atenção de média complexidade para um cuidado integral ao paciente com DRC.

Objetivo:O objetivo do estudo se dá na atenção de média complexidade em saúde, e se dirige à compreensão da identidade das ações do campo da Nutrição no atendimento das diretrizes da Linha de Cuidado da DRC.

Metodologia:O estudo, de caráter descritivo-analítico, foi desenvolvido com pacientes renais que estão em atendimento numa unidade clínica especializada de Curitiba, PR. Como critério de inclusão, pacientes diagnosticados em todos os estágios da doença, com idade acima de 20 anos e ativos no atendimento do ambulatório de nefrologia no período de setembro de 2016 a junho de 2017. Para traçar o perfil desta população, foram analisados dados antropométricos, como Índice de Massa Corporal, circunferência do braço e da cintura, pregas cutâneas, circunferência muscular do braço, ingestão proteica e calórica e albumina, além de marcadores da função renal como Taxa de Filtração Glomerular (TFG) e creatinina. Também foram avaliadas as características gerais e clínicas, como presença de comorbidades, características de moradia e renda salarial, acesso ao Sistema Único de Saúde e tempo de diagnóstico da doença. Para avaliar a associação entre variáveis categóricas, utilizou-se o teste Qui-Quadrado ou Exato de Fisher, sendo considerado o nível de significância de 5% (p<0,05).

Resultados:A população de 101 pessoas apresentou idade média de 53,54?15,09 anos, sendo 55% do sexo feminino com mediana de TFG de 39 ml/min (12-129); 44% apresentam-se no estágio 3 da DRC e quase 20% no estágio 4. Tiveram, ao menos, cinco consultas até o diagnóstico da doença, que ocorreu na Unidade de Saúde para a maioria deles, embora cerca de 45% tenha sido diagnosticada na consulta especializada ou no hospital. Cerca de 42% vive com 2 salários mínimos; 64% é aposentada e 72% não concluíram o ensino médio. As comorbidades predominantes foram hipertensão arterial (55,35%) e diabetes mellitus (45,61%). Segundo o IMC, sobrepeso e obesidade tiveram acometeram cerca de 60.24% da amostra. Contudo, a desnutrição foi identificada quando utilizados outros parâmetros antropométricos, bioquímicos e dietéticos. Cerca de 85% dos pacientes relataram nunca terem sido assistidos pelo profissional de nutrição e 100% da população pesquisada não recebeu educação nutricional sobre a DRC durante o seu tratamento.

Conclusões:Em vista deste perfil, observa-se a necessidade de organização do cuidado nutricional e aplicação de protocolos de atendimento específicos para a população com Doença Renal Crônica, possibilitando um atendimento estruturado e adequado às necessidades individuais de cada paciente, mediante um trabalho compartilhado entre os profissionais da atenção primária e especialistas focais.

Palavras-chave:Doença renal. Crônica. Linha de cuidado.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador
    3. Colaborador