Artigo

ANÁLISE DA COMPREENSÃO DA POPULAÇÃO DE CURITIBA SOBRE TERAPIA GÊNICA HEREDITÁRIA NUMA PERSPECTIVA BIOÉTICA

SERRATO, Julia Amanda1; SIMAO, Daiane Priscila2;

Resumo

Introdução:Em vista do aprimoramento humano, técnicas de edição em embriões vêm sendo desenvolvidas, motivando muitas discussões internacionais sobre as implicações éticas no uso destas novas ferramentas moleculares. Essas técnicas se baseiam na correção do DNA em regiões específicas, possibilitando a cura de síndromes e a alteração de características genéticas.

Objetivo:O trabalho teve por objetivo analisar a opinião e compreensão de uma amostra da população de Curitiba sobre as questões éticas elencadas pelos processos biotecnológicos de terapia gênica hereditária, e sua possível aplicação no aprimoramento humano.

Metodologia:O questionário foi elaborado e aplicado com aprovação do CEP/PUCPR (1.682.978). Os resultados quantitativos foram analisados com auxílio do software SPSS e as questões qualitativas analisadas segundo Pope e Mays (2009).

Resultados:Foi obtido um total de 160 questionários, dos quais o perfil sócio demográfico aponta 45,6% dos participantes com idade entre 18 e 25 anos, 62% do gênero feminino e 59% cursando o ensino superior. A maioria dos respondentes (87,5%) foi da Capital e o restante da região metropolitana. Assinalaram que existem problemas éticos significativos em relação ao uso da edição gênica e as alterações do genoma humano 51,3% dos respondentes, enquanto 16,9% não compreende haver problemas éticos no uso da tecnologia e 31,8% não tem opinião formada. Outra correlação significativa ocorreu entre as opiniões sobre o uso da tecnologia de edição gênica apresentar problemas éticos e as desigualdades causadas/ampliadas pela distribuição da técnica. Os problemas éticos da edição genética apontados na literatura são: a proteção do direito à vida e a dignidade humana; modificação direta do embrião, na qual há a criação de um indivíduo com um material genético modificado sem o seu consentimento o que fere o princípio da liberdade e autonomia; a transmissão de características de forma permanente para as gerações futuras. Ao se tratar da responsabilidade e da liberdade, não existe a compreensão de tais princípios por parte da amostra. Essa encontra maiores problemas éticos na conduta do pesquisador e em como a técnica será utilizado pela comunidade científica. Consequentemente, explicita-se que os problemas éticos atualmente discutidos em fontes científicas – especialmente em artigos relacionando o tema a bioética – não são os mesmos que preocupam a população. Fatores como religião, formação acadêmica e área de atuação não apresentaram correlação significativa com a opinião dos participantes. Metade da população amostrada compreende limites éticos relacionados às técnicas de edição gênica de forma diferente dos citados na literatura, entendendo que muitas vezes, a mesma não compreende os limites técnicos que estão diretamente relacionados aos problemas éticos da técnica. Parte da amostra ainda não tem opinião formada, enquanto os que têm consideram a possibilidade de escolha e responsabilização pelos atos tomados de quem usa a técnica.

Conclusões:Em busca de ampliação do diálogo é importante a interação entre a população, bioeticistas e pesquisadores, promovendo maior discussão, entendimento e possibilitando um consenso sobre tonar viável, em termos éticos, o uso da edição gênica.

Palavras-chave:Edição. CRISPR. Problemas éticos. Liberdade.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador