Artigo

O POTENCIAL FARMACOGENÉTICO DA BUTIRILCOLINESTERASE NO TRATAMENTO DA DOENÇA DE ALZHEIMER

NASCIMENTO, Carlos Guilherme1; CAVALARI, Caroline Maria De Andrade3; SIMAO, Daiane Priscila2;

Resumo

Introdução:A doença de Alzheimer (AD) é uma desordem neurodegenerativa que culmina na perda progressiva das funções colinérgicas. O tratamento dos sintomas dá-se pelo uso dos inibidores das colinesterases (IChEs), sendo o donepezil e a galantamina inibidores exclusivos da acetilcolinesterase (AChE) e a rivastigmina inibidor da AChE e da butirilcolinesterase (BChE).

Objetivo:O objetivo deste trabalho foi avaliar o potencial farmacogenético da BChE na resposta aos IChEs de acordo com o tipo de polimorfismo do gene BCHE.

Metodologia:Foram avaliados os polimorfismos -116A (rs1803274), A539T (rs1126680, variante K) e o fenótipo CHE2 em 112 pacientes com DA e 118 controles idosos, pareados por idade, gênero e escolaridade, e a resposta da atividade da BChE entre pacientes e controles, e nos diferentes tratamentos com IChEs entre os pacientes.

Resultados:A frequência da variante K não diferiu significativamente entre grupo controle e DA (X2 =0,57; p =0,75), assim como nenhuma dos outros polimorfismos se mostrou relacionado com a propensão a DA (-116A – X2 =0,60; p =0,73 e CHE2 – X2= 0,65; p= 0,41). A média da atividade enzimática total, das formas dímera e tetrâmera da BChE foi significativamente maior nos pacientes que no grupo controle, o teste t apresentou p = 0,00 para os três. Quanto a diferença de resposta na atividade da BChE, a variante K, associada ao efeito de diminuição em até 33% da atividade da BChE, apresentou potencial farmacogenético no tratamento RVG, devido a apresentar efeitos de diminuição na atividade total e na forma G2. O fenótipo C5+, associado ao aumento da atividade da BChE em 30%, não apresentou esse potencial, resultado que pode ter sido influenciado pelo número amostral ser muito pequeno, um paciente analisado isoladamente apresentou diminuição da atividade enzimática.

Conclusões:Estes achados, apontam para a necessidade de mais estudos visando a melhor compreensão da dinâmica de resposta enzimática aos IChEs de acordo com a variabilidade genética dos pacientes. Principalmente no que tange ao nível plasmático, como realizado no presente estudo, visando a diminuição dos efeitos colaterais apresentados por muitos dos pacientes. Os resultados sugerem que é possível fazer prescrição direcionada dos IChEs conforme o perfil genético, contudo, é necessário a avaliação da atividade de ambos os inibidores, AChE e BChE, assim como ampliação da amostra para maiores conclusões.

Palavras-chave:Butirilcolinesterase. Farmacogenética. Inibidores da colinesterase. Variante K. Fenótipo CHE2.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador
    3. Colaborador