Artigo

AVALIAÇÃO PRÉ-OPERATÓRIA DAS COMORBIDADES DO PACIENTE COM OBESIDADE SUBMETIDO À CIRURGIA BARIÁTRICA EM UM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO DE CURITIBA, PR

SANTOS, Amanda Shinoda1; PILGER, Camilla Gallo3; TAMBARA, Elizabeth Milla2;

Resumo

Introdução:A obesidade ou excesso de gordura corporal devido aumento de ingesta energética, proporciona alterações na saúde física e mental. Com alta prevalência no Brasil, pode ser determinada pelo cálculo do índice de massa corporal (IMC): entre 35 e < 40kg/m2, é considerado obeso; obesos graves, IMC entre 40 e < 50kg/m2, refratário à terapia; e de superobesos, IMC ? 50kg/m2. Comorbidades mais prevalentes relacionadas à obesidade temos hipertensão arterial sistêmica (HAS), osteoartrose, apnéia obstrutiva do sono (AOS), refluxo gastroesofágico (RGE), diabete miellitus tipo 2, síndrome metabólica, desordens trombolíticas e asma. A cada dia mais pacientes com obesidade são submetidos à cirurgia bariátrica, e devido o perfil mais delicado desses pacientes, há alto risco de morbimortalidade. Assim, há importância de uma análise baseada em evidências referentes deste grupo de pacientes.

Objetivo:Avaliar o paciente com relação ao seu desenvolvimento anestésico na cirurgia bariátrica, recolhendo dados no pré, peri e pós-operatório e, contribuindo cientificamente para a elucidação do risco anestésico.

Metodologia:Através de um estudo observacional transversal da amostra de 100 pacientes portadores de obesidade mórbida, de ambos os sexos, com mais de 18 anos, candidatos à gastroplastias em um hospital no município de Curitiba (PR), foram coletados dados do acompanhamento clínico no internamento, e de prontuários médicos no período de 08/2016 à 05/2017; e posteriormente foi realizado uma análise estatística.

Resultados:A média de idade encontrada foi de 38,8 anos, com prevalência de mulheres (93%). A média do IMC foi 42,2 e os pacientes foram avaliados com risco ASA II (43%) ou ASA III (57%). Quanto às comorbidades, 81% tinham algum diagnóstico prévio (30% diabetes; 45% HAS; 9% dislipidemia; 4% doença cardiovascular documentada; 8% asma; 26% risco de AOS segundo escore STOP-BANG; 31% tabagismo atual ou prévio; 10% refluxo gastroesofágico; 18% hipotireoidismo; e 12% desordens psiquiátricas. Uso de medicações de uso contínuo foi relatado em 82% dos pacientes. 24 pacientes foram diagnosticados com ao menos uma complicação pós-operatória (IC:15,6%-32,4%); neste grupo, 75% dos pacientes apresentavam exposição atual ou prévia ao tabagismo. No desfecho de 30 dias os principais eventos foram infecção de ferida operatória (58,3%), deiscência de sutura (37,5%) e hérnia incisional (8,4%). Houve 01 caso de choque anafilático (1%) após a indução anestésica. Não houve mortalidade no período avaliado. O tempo de internamento médio foi de 4 dias. Os pacientes foram encaminhados à unidade de terapia intensiva (UTI) para monitorização contínua pós-operatória quando escore STOP-BANG >2. UTI foi necessária em 26 pacientes, com média de 2,3 dias.

Conclusões:O perfil analisado possui alto índice de comorbidades associadas à obesidade, sendo HAS a mais comum neste estudo. Houve alta morbidade no pós-operatório, com infecção de ferida operatória como complicação mais comum. A AOS foi o principal preditor da elevada incidência de admissão em UTI.

Palavras-chave:Anestesiologia; bariátrica; obesidade; complicações.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador
    3. Colaborador