Artigo

DISCURSOS E PROFILAXIAS: LEPRA E DIREITOS HUMANOS NO PARANÁ DURANTE A PRIMEIRA REPÚBLICA BRASILEIRA (1889-1930)

OLIVEIRA, Jessica Aline Soares1; BOVKALOVSKI, Etiane Caloy2;

Resumo

Introdução:O presente estudo focaliza a temática da lepra no Paraná durante o período que compreende a Primeira República Brasileira (1889-1930), buscando delinear as gradações que perpassam as esferas estatal e social. Por meio de questões como o controle social, a normatividade, a ideologia e as formas de poder, procura-se averiguar o impacto das medidas sanitaristas aplicadas neste contexto a partir de uma roupagem profilática.

Objetivo:A partir deste ponto estabeleceu-se como objetivos analisar o discurso político-ideológico do Estado e da medicina acerca dos corpos doentes e a sua influência perante a sociedade brasileira e, especialmente perante a sociedade paranaense durante o período da Primeira República Brasileira; e relacionar a disposição dos espaços de sociabilidade em instituições médicas do Estado do Paraná entre os anos de 1889 e 1930, com o isolamento dos acometidos pela lepra, a partir dos ideais da Segunda Dimensão de Direitos Humanos, tendo em vista o contexto histórico do período.

Metodologia:Através da análise de fontes primárias e do uso de ferramentas da Análise Semiótica, os vestígios históricos selecionados para compor esta pesquisa (a planta baixa do Leprosário São Roque e o projeto de lei que regulamenta a profilaxia da lepra no estado do Paraná) foram analisados, com vistas a responder as problemáticas deste estudo. Para isso, os principais autores utilizados enquanto base teórica foram: Georges Canguilhem (2009), Elizabeth Amorim de Castro (2004; 2005), Pierre Bourdieu (1989), Michel Foucault (2001), Lúcia Santaella (1990) e Slavoj Zizek (1996).

Resultados:Assim, pôde-se concluir que o Estado em parceria com o saber médico, se apropriou dos ideais republicanos de modernização, instaurando uma série de normas higiênicas no Paraná.

Conclusões:Desta forma, por meio de um discurso político-ideológico a sociedade não enferma legitimou o isolamento compulsório dos leprosos, delegando novas atribuições de espacialidade acerca do público e do privado.

Palavras-chave:Lepra. Direitos humanos. Paraná. Primeira República Brasileira.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador