Artigo

PREVALÊNCIA DE DIABETES EM MULHERES DO SISTEMA PRISIONAL

ZANETTI, Alexandra Machado Gomes Rigo1; BRAZ, Gilmara Lima3; GUIDOTTI, Larissa Dantas3; FERNANDES, Marcelly Caroline Pires3; FARINHA, Larissa Maffini3; CORREA, Caroline Romeiro3; TORQUATO, Aline3; BONOW, Tatiane Peter Kuhn3; AULER, Flavia2;

Resumo

Introdução:O Brasil possui a quarta maior população carcerária do mundo e o aumento entre a população carcerária feminina é maior do que em homens. Sobre a saúde da mulher encarcerada, o último relatório oficial mostra situações de descaso assistencial às patologias próprias da mulher. Na saúde prisional, muito se fala de doenças mentais, doenças infectocontagiosas, porém pouco se fala de doenças crônicas que exigem tratamento contínuo e monitoramento da adesão. A diabetes mellitus (DM) não é uma única doença, mas um grupo heterogêneo de distúrbios metabólicos que apresenta em comum a hiperglicemia, resultante de defeitos na ação da insulina, na secreção de insulina ou em ambas. A importância da discussão deste tema ocorre pela sua crescente prevalência e associação à dislipidemia, à hipertensão arterial e à disfunção endotelial. É considerada um problema de saúde pública, mas o bom manejo ainda na Atenção Básica, evita hospitalizações e mortes por complicações cardiovasculares e cerebrovasculares.

Objetivo:Diante disto, o objetivo deste estudo foi determinar a prevalência de diabetes em mulheres privadas de liberdade de uma Unidade Penal do Paraná e estudar as características sócio, demográficas, histórico mórbido pregresso e familiar que estão associadas.

Metodologia:Este estudo caracteriza-se por ser transversal, descritivo com abordagem quantitativa a partir de dados secundários da pesquisa intitulada “Doenças crônicas não transmissível em mulheres privadas de liberdade”. Os dados analisados eram advindos de entrevista baseada em questionário sobre aspectos econômico, demográfico, consumo alimentar, cuidados com a saúde, morbidade pessoal e familiar de doenças crônicas e dados antropométricos, bioquímicos e clínicos.

Resultados:Foram avaliadas 176 mulheres, sendo 18 diabéticas (10,2%). A média das idades das mulheres com DM é significativamente superior das mulheres não diabéticas (NDM) (p=0,003), ao contrário do tempo de reclusão (p=0,018). Em relação aos dados antropométricos, o peso médio (p=0,006) e a variação média de peso (p=0,04) foram menores para as DM, ao contrário da média da circunferência da cintura (p=0,009), gordura visceral (p=0,005) e glicemia (p<0,005). A cor da pele se mostrou com diferença significativa (p=0,01) com maior prevalência de mulheres com DM brancas.

Conclusões:Foi constatado nesta pesquisa um grande risco para o aparecimento de doenças cardiovasculares e metabólicas, devido a irregularidades na alimentação destas mulheres, existindo dificuldades para o adequado consumo de macro, micronutrientes e fibras. Por estes motivos apresentados acima, é de extrema importância diagnóstico e acompanhamento a população carcerária feminina, para que se possa oferecer tratamento e auxilio adequado as enfermidades encontradas, possibilitando uma menor vulnerabilidade e possibilitar melhor qualidade de vida a estas mulheres.

Palavras-chave:Mulheres. Privação de liberdade. Doença crônica não transmissíveis.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador
    3. Colaborador