Artigo

QUANTIFICAÇÃO DOS COMPONENTES DA MATRIZ EXTRACELULAR DE TECIDOS CARDIOVASCULARES HUMANOS DESCELULARIZADOS

ROSA, George Willian Xavier da1; SUSS, Paula Hansen3; RODERJAN, João Gabriel3; ABE, Camila Agnes Lumi3; COSTA, Francisco Diniz Affonso Da2;

Resumo

Introdução:As valvopatias têm se apresentado como um importante problema de saúde pública que causam uma significante taxa de morbi-mortalidade mundial. O tratamento efetivo é a intervenção cirúrgica para substituição da válvula comprometida. Contudo, as opções de substitutos ainda apresentam complicações. Na busca por um substituto valvar ideal, a engenharia de tecidos tem possibilitado avanços na produção de homoenxertos valvares pelo processo de descelularização. Estes se apresentam como substitutos valvares viáveis e com menos complicações pós-implante se comparados com as válvulas mecânicas e as biopróteses, sendo que exibem uma hemodinâmica natural, não requerem a utilização de anticoagulantes e demonstram redução na imunogenecidade. O processo de descelularização produz um arcabouço de matriz extracelular (MEC) composto basicamente por colágeno, elastina e glicosaminoglicanos (GAG). A preservação da composição e da estrutura nativa da MEC durante o processo é altamente desejável, porém, reconhece-se que todos os processos de descelularização impactam na composição e arquitetura da MEC, em maior ou menor nível. Desta maneira, a caracterização dos componentes da matriz extracelular das válvulas cardíacas pré e pós-processo de descelularização é necessária para avaliar a condição do arcabouço de MEC valvar pós descelularização.

Objetivo:Quantificar a concentração dos componentes da MEC de tecidos cardiovasculares humanos, como também, avaliar a organização das fibras elásticas, colágenas e a distribuição dos glicosaminoglicanos, buscando identificar possíveis alterações morfológicas na arquitetura da MEC pós-processo de descelularização com solução PUC-I.

Metodologia:Na análise histológica foram avaliadas válvulas aórticas, pulmonares e pericárdios humanos pré e pós descelularização, utilizando-se das colorações HE, 4’,6-diamidino-2-fenilindol (DAPI), Pentacrômico de Russel-Movat (PRM) e ácido periódico de Schiff + Alcian Blue (PAS), comparando as estruturas dos tecidos frescos a descelularizados. Para aferir a perda dos componentes da MEC, foram quantificados glicosaminoglicanos sulfatados e colágeno insolúvel, utilizando-se dos kits comerciais BlyscanTM e SircolTM, respectivamente. A comparação dos dados obtidos foi realizada por análise estatística utilizando-se do teste de Wilcoxon (não paramétrico) por meio do software R, com índice de significância p<0,05.

Resultados:Neste estudo foi demonstrado pela avaliação histológica que a solução PUC-I promove redução dos núcleos celulares observados na coloração HE e DAPI em todos os tecidos, no entanto, na região do conduto distal de válvulas aórticas e pulmonares demonstrou baixa eficácia na capacidade de remoção de conteúdo celular. Em relação ao conteúdo da MEC, pode-se observar através das colorações PRM e PAS que o processo de descelularização causou um rearranjo na organização das fibras e na distribuição dos GAG, como também, uma diminuição do conteúdo de colágeno insolúvel nas válvulas aórticas, pulmonares e pericárdios descelularizados frente aos frescos. Os GAG também sofreram diminuição do conteúdo nas amostras valvares, porém, observou-se um aparente aumento nos pericárdios humanos.

Conclusões:O processo de descelularização ocasionou a diminuição e um rearranjo estrutural dos componentes da MEC nas amostras testadas. No entanto, uma análise mais abrangente deverá ser realizada, em estudos futuros, para avaliar o impacto da diminuição dos componentes da MEC na funcionalidade dos tecidos cardiovasculares.

Palavras-chave:Descelularização. matrix extracelular. Histologia da válvula. Quantificação de GAG. Quantificação de colágeno.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador
    3. Colaborador