Artigo

O RADICALISMO DE SADE À LUZ DA FILOSOFIA MARGINAL DE E. CONDILLAC E LA METTRIE

LUIZ, Rodrigo Grobe Navarro1; BOCCA, Francisco Verardi2;

Resumo

Introdução:A fundamentação filosófica permeada na obra literária do Marquês de Sade está intimamente ligada às teses materialistas, em especial, às obras dos filósofos E. de Condillac e La Mettrie que exerceram tamanha influência sob o Marquês. Visamos nos diálogos dos personagens de Sade, encontrar o desmembramento radical das teses propostas por La Mettrie, em principal, quando aderi a uma fisiologia muscular, na qual está relacionada a noções de irritabilidade muscular e de sensibilidade nervosa, bem como a tese central de Condillac, na qual, explica a natureza humana a partir do prazer e do desprazer, principalmente no que tange ao detalhamento das sensações como responsáveis pela composição de faculdades como a atenção, a memória, a imaginação e o juízo. Ao radicalizar, Sade transita por um caminho obscuro da natureza humana guiado unicamente por um prazer sexual egoísta. Sade se apropria do conceito de Estado de Natureza proposto por Thomas Hobbes para justificar a conduta libertina, porém diferente de Hobbes que reconhece no Estado de Natureza a necessidade da constituição do Estado representado por um soberano para coordenar a ordem em favor da vida de cada indivíduo, Sade, por sua vez, ao reconhecer o Estado de Natureza, onde perdura a guerra de todos contra todos, identifica a predominância da lei do mais forte. A figura do soberano libertino se apresenta para constituir a organização social denominada Orgia, cujos indivíduos adeptos reconhecem como o mais forte tal soberano submetendo-lhe ao seu domínio por possuírem algo em comum: a busca do prazer supremo.

Objetivo:O objetivo da presente pesquisa visa destacar aos valores adotados pela filosofia libertina guiada pelo materialismo, que em suma, visa explicar o ser humano como um produto da organização orgânica; nega a imortalidade da alma; se opõe ao mundo espiritual e consequentemente defende o ateísmo, princípios estes, que inspiraram a orientação filosófica de Sade conduzindo-o a um radicalismo que confronta os valores morais, bem como a manutenção da espécie humana.

Metodologia:Mediante da pesquisa bibliográfica, objetivando a análise proposta, iniciamos os estudos com base na seleção e organização da bibliografia; leitura, análise e registro de textos selecionados, fichamento e encontros com o orientador.

Resultados:Como resultado, pode-se inferir que o prazer orgânico, sobretudo o prazer sexual, atinge um patamar de divindade. Para Sade, o prazer é o deus que determina e regulamenta a conduta do libertino.

Conclusões:Conclusivamente, o prazer sadeano, manifesta-se por três vias diferentes, a saber: o crime, a imaginação e a volúpia libertina. Muito embora, as três vias possuam seu ápice na sensibilidade, é por meio da imaginação desenfreada que o libertino dela faz uso para arquitetar o crime que o consolidará na pratica, ao submeter o corpo físico. As consequências no âmbito social se houvesse adesão das práticas libertinas como nova ordem social, não perduraria além de uma geração, por outro lado, o objetivo de Sade está na constituição de uma República isenta de qualquer dogma religioso e para isso utiliza o prazer sexual como instrumento de guerra para confrontar a religião.

Palavras-chave:Marquês de Sade. Materialismo. Filosofia Marginal.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador