Artigo

AVALIAÇÃO DO EFEITO DE ANESTÉSICOS SOBRE A MICROBIOTA INTESTINAL DE CARPAS CAPIM (CTENOPHARINGODON IDELLA)

MOTA, Hyon Tchor Galvao1; IACHINSKI, Juliana Martins3; AMHOF, Heloisa Paulino3; BONOTTO, Daniela Romani3; GNEIDING, Beatriz3; MADEIRA, Humberto Maciel Franca2;

Resumo

Introdução:A carpa capim (Ctenopharyngodon idella) é uma espécie de muito estudada nos últimos anos, devido a sua capacidade de atuar como controlador biológico, se alimentando principalmente de macrófitas aquáticas. Entretanto a capacidade de degradar celulose não é atribuída à carpa capim, mas sim a microbiota presente em seu trato intestinal. A composição microbiana intestinal é muito diversificada, e pode sofrer influências de diversas ordens como idade, hábitos alimentares, estresse, uso de medicamentos e fármacos, dentro outros. Agentes anestésicos são fármacos utilizados com propósito de sedação e anestesia, e suas propriedades podem interferir na microbiota. No Brasil, a benzocaína (4-aminobenzoato de etilo) é um anestésico amplamente utilizado em peixes de água marinha e água doce. Este fármaco, apresenta boa margem de segurança e eficiência, entretanto possui propriedades bactericidas e/ou bacteriostáticas. O eugenol (2-Metoxi-4-prop-2-enil-fenol), componente principal do óleo de cravo (85 e 95%), é um anestésico de origem natural que possui ação bactericida, principalmente em organismos gram-positivos.

Objetivo:O presente trabalho teve por objetivo avaliar a viabilidade da microbiota intestinal da carpa capim (Ctenopharyngodon idella), submetida aos efeitos dos anestésicos inalatórios benzocaína e eugenol.

Metodologia:Sessenta (60) peixes foram aclimatados por sete dias em um sistema de recirculação. A qualidade da água foi monitorada diariamente e os animais alimentados duas vezes ao dia. Previamente realizado jejum de 12h, os animais foram submetidos individualmente aos tratamentos, sendo eles: controle (CO), etanol 1,75 ml.L-1 (ET), eugenol 50 mg.L-1 (E50), eugenol 250 mg.L-1 (E250), benzocaína 100 mg.L-1 (B100) e benzocaína 300 mg.L-1 (B300). Em seguida, os peixes foram eutanasiados, biometrados e identificados. Para as análises microbiológicas, o conteúdo intestinal foi coletado, feito pool de cada tratamento, diluído e cultivado em ágar nutriente. As colônias foram contadas, classificadas e então separadas individualmente para identificação de gram e análises reativas de catalase e oxidase.

Resultados:Parâmetros da água mantiveram-se em condições adequadas: temperatura de 20,34 ± 0,85 ºC; oxigênio dissolvido 7,1 mg L-1 (± 0,26), pH entre 7,6 e 7,8, amônia total 0 mg L-1 e nitrito 0,04 ppm (± 0,09). As contagem de colônias viáveis (log de UFC.mL-1)foram: (CO) 7,715 (± 0,15), (ET) 7,03 (± 0,12), (E100) 7,59(± 0,12), (B300) 7,16(± 0,12), (E50) 6,935(± 0,15) e (E250) (7,19 ± 0,15).

Conclusões:Os anestésicos eugenol e benzocaína utilizados para a sedação, anestesia ou agente eutanásico de carpa capim, reduziram a viabilidade microbiológica intestinal da carpa capim. A benzocaína na concentração de 100 mg L-1 foi o anestésico que manteve maior viabilidade microbiológica em comparação aos outros fármacos.

Palavras-chave:Benzocaína. Eugenol. Viabilidade. Bactérias.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador
    3. Colaborador