Artigo

RESSIGNIFICAÇÃO DA MORTE PELA PERSPECTIVA MONÁSTICO-MERTONIANA

LEJAMBRE, Maria Helena Ribeiro1; SILVA, Jefferson Soares Da2;

Resumo

Introdução:O presente estudo reflete sobre a dificuldade de enfrentamento da morte na atualidade e busca apresentar uma possibilidade de ressignificação aos medos que fazem parte dela. O trabalho será escrito pela perspectiva teológica e, por discutir uma dificuldade que é geradora de conflito, a pesquisa se apoiará também na perspectiva bioética.

Objetivo:Nossa existência é marcada pelo problema da morte, um medo universal, e do qual surgem todos os nossos outros medos. Com o desenvolvimento tecnológico e o avanço da medicina a vida humana passa a ser prolongada. A morte passa a ocorrer na solidão dos hospitais, distante do cotidiano. Também aos poucos as crianças são afastadas dos velórios.

Metodologia:Essas várias mudanças em torno da finitude da vida fazem parecer que a morte não existe mais, pois passa a ser negada, tornando-se um tabu. Porém, negar a finitude da vida, algo natural e parte do ciclo vital, não faz com que seja eliminado o medo da morte, pelo contrário, o aumenta, principalmente quando nós nos aproximamos dela.

Resultados:De acordo esse problema, o trabalho tem por objetivo investigar como a dificuldade de enfrentamento da morte pode ser ressignificada a partir da contemplação monástica. Sendo uma análise qualitativa bibliográfica, a reflexão ocorrerá baseada em autores que estudaram o tema, com destaque aos escritos do monge Thomas Merton (1915-1968). Para o autor, o fugir da morte tem como resultado o “desejo de morte”, visível na busca por experiências superficiais que levam a perder o sentido da vida. Para o monge, a vida humana deve ser orientada por valores sólidos, possíveis de serem encontrados na contemplação da vida e na interiorização.

Conclusões:Esse exercício que nos permite experimentar pequenas mortes e lutos ao nos aproximar do nosso “eu interior” e nos distanciar de projeções exageradas lançadas sobre nós e sobre nossa vida, as quais nos distanciam de seu sentido e de nós mesmos.Conclui-se que através da contemplação das experiências mais simples do cotidiano e na busca pelo auto-conhecimento, a vida pode ser ressignificada, sendo assim ressignificada também todas as suas etapas, dentre elas, o aparente medo da finitude da vida. Para o monge, quando encontramos o sentido profundo da vida todo o ciclo vital fará sentido.

Palavras-chave:Enfrentamento da morte. Espiritualidade. Teologia. Bioética.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador