Artigo

A SOLIDÃO COMO AFIRMAÇÃO DE SI EM NIETZSCHE

CRUZ, Lindomar da1; OLIVEIRA, Jelson Roberto De2;

Resumo

Introdução:Segundo F. Nietzsche, a solidão é um critério indispensável para a afirmação de si mesmo, uma vez que esse conceito não é interpretado pelo filósofo apenas como um estado de espírito, ou um afastamento e isolamento em relação aos demais, e sequer está associado a crises de tristeza. A solidão é para o autor uma característica indispensável no ofício filosófico e na construção do espírito livre, conceito que aparece nas obras do chamado “segundo período” de sua produção (1876 a 1882) e que sugere a ideia de um indivíduo que se opõe à moral do rebanho, uma tarefa que não se reduz à luta contra a vulgaridade da massa, mas exige a afirmação de si mesmo.

Objetivo:O trabalho tem por objetivo analisar o movimento que Nietzsche realiza para servir-se do conceito de solidão como uma crítica à moral de rebanho em sua filosofia, uma vez que o filósofo acusa o modelo moral socrático-platônico-cristão, vigente no Ocidente, de ter promovido a ascensão de valores gregários, cujo resultado é o enfraquecimento da vida.

Metodologia:O trabalho foi realizado por meio de uma pesquisa bibliográfica com o intuito de coletar os dados teóricos, principalmente, em Assim falou Zaratustra, sendo esta a obra principal a ser observada na pesquisa, não deixando de lado obviamente a bibliografia complementar. É certo que dialogamos com outras obras e outros períodos da produção nietzschiana, na medida em que elas foram importantes para a articulação de conceitos e argumentos capazes de contribuir para a compreensão do projeto nietzschiano de crítica à moral para questionar o que há por trás dos acontecimentos históricos que levaram o homem pelos caminhos da coletividade, eleita como critério absoluto de interpretação e criação de valores.

Resultados:No que tange propriamente à vitalidade ao tema central deste trabalho, ou seja, uma ao tema da afirmação de si por meio da solidão, Nietzsche pretende mostrar que esse processo acontece por um desengajamento, uma libertação desse do humano de em relação à uma moral, fato que o leva à massificação do rebanho. A solidão é a chave para a afirmação de si, pois rompe com a realidade provocada pela moral, para dar espaço aos impulsos vitais e fazer o humano retomar em si o pensar, o sentir e o querer, que a moral havia apagado em nome da implantação de um processo de negação do “eu”.

Conclusões:Dessa forma, conclui-se que a moral do rebanho é uma moral dos ressentidos contra a vida, que não partem de uma afirmação de si mesmos, mas de um olhar que provoca uma inversão de valores, de forma que a virtude passa a ser aquilo que contribui para o adoecimento do homem, o que leva à manutenção da coletividade, a um ajuntamento de fraquezas, e é na solidão que o humano se torna forte e encontra a sua saúde, longe das mazelas da gregariedade.

Palavras-chave:Nietzsche. Solidão. afirmação de si. Moral de rebanho. Gregariedade.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador