Artigo

MORALIDADE E RACIONALIDADE EM KANT E HABERMAS

RODRIGUES, Anderson Alexandre1; PEREIRA, Jose Aparecido2;

Resumo

Introdução:A razão é o fundamento da moralidade segundo Kant e Jürgen Habermas. Assim, a ética para o primeiro é subjetiva, enquanto que, para o segundo, é discursiva. Ou seja, Kant afirmará que a ação moral do indivíduo deve ser válida no âmbito universal, ao passo que, Habermas dirá que a ação moral deve ser submetida e aprovada pela comunicação entre os envolvidos. Dito de outro modo, o cumprimento do dever kantiano, isto é, o imperativo categórico; resulta-se em normas universais, de modo que, o agir comunicativo de Habermas é uma ação moral submetida à razão e ao consenso entre as pessoas através do discurso.

Objetivo:A pesquisa procurou estabelecer relações entre a moralidade e a racionalidade em Kant e Habermas, de modo que, respondesse em que medida a ética racionalista de Habermas se distancia e se aproxima do modelo ético racionalista proposto por Kant.

Metodologia:Esta pesquisa teve como orientação fundamental a leitura de textos referentes ao problema da relação entre moralidade e racionalidade em Kat e Habermas. O desenvolvimento do nosso trabalho encontra-se norteado por várias leituras, fichamentos e anotações da obra, Fundamentação da metafísica dos costumes de Kant, e a Teoria do agir comunicativo de Habermas, bem como de seus comentadores que tratam especificamente desse assunto.

Resultados:Na Fundamentação da Metafísica dos Costumes, Kant afirma que o princípio supremo da moralidade tem sua origem da razão, que agindo aprioristicamente, valida tal princípio para todos os seres racionais. Na obra, a Teoria do agir comunicativo, Habermas diz que os pressupostos morais são guiados pela razão, entretanto, discutido e validado através da linguagem entre os envolvidos. O pensamento habermasiano se distanciará da teoria kantiana do seguinte modo: Habermas tomará como pressuposto a pós-metafísica e não a própria metafísica como no caso de Kant; Habermas seguirá o consenso entre as pessoas através da linguagem como criadora dos aspectos normativos e não o monológico kantiano; Habermas parte da realidade como fonte das discussões do certo e do errado e não da subjetividade de uma consciência humana – algo que era próprio de Kant e do Idealismo Alemão. Contudo, Kant e Habermas se aproximam ao utilizarem a razão como a norteadora das decisões corretas, seja no âmbito, da linguagem ou no aspecto da subjetividade de uma consciência idealista alemã. Além do mais, os dois usaram o critério da universalização, isto é, seja do indivíduo ao universal ou do consenso através da linguagem ao universal. Entretanto, Kant e Habermas são peças fundamentais no desenvolvimento da ética nos períodos: da modernidade e da contemporaneidade. Ou seja, diante dos avanços científicos e tecnológicos, as ideias kantianas e habermasianas, serviram como barreiras protetoras ante as atrocidades que o homem pudesse fazer com a própria humanidade.

Conclusões:Concluímos que o fundamento da moralidade em Kant e Habermas é a racionalidade. O primeiro segue o aspecto monológico, enquanto que o segundo, o aspecto discursivo. Para tanto, essa temática, em Kant e Habermas é um assunto de grande relevância para os dias atuais.

Palavras-chave:Moralidade. Racionalidade. Discurso. Dever. Kant. Habermas.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador