Artigo

AVALIAÇÃO DA APLICABILIDADE DE UMA CHAVE ELETRÔNICA DE IDENTIFICAÇÃO DE SERPENTES OCORRENTES NO MUNICÍPIO DE CURITIBA, PR

OLIVEIRA, Mirian Gabriele de1; LEITE, Julio Cesar De Moura2;

Resumo

Introdução:As serpentes são animais estigmatizados pela sociedade, estando muitas vezes associadas ao mal em diferentes culturas e religiões. Tal fato encontra-se relacionado à presença de algumas espécies peçonhentas. No entanto, esses animais apresentam papel importante no equilíbrio de ecossistemas, fato este que normalmente não é percebido pelas pessoas. A despeito da diversidade existente, tanto em relação ao número de espécies quanto à história natural e grau de periculosidade, as serpentes são muito mal conhecidas. São poucas e insuficientes as iniciativas visando a desmistificação desses animais, o reconhecimento das espécies e de potenciais causadores de acidentes.

Objetivo:O presente estudo objetivou analisar a viabilidade da aplicação de uma chave eletrônica para a identificação de serpentes ocorrentes em Curitiba, recentemente elaborada dentro de um programa de PIBITI da PUCPR. Para tanto, foram levantados os pontos positivos e negativos existentes em sua elaboração, bem como as principais dificuldades enfrentadas pelos participantes, com a sugestão de aprimoramentos para sua implementação.

Metodologia:Foram realizadas 90 aplicações da chave no total, 30 para cada uma das seguintes faixas etárias: menores de 16 anos, entre 16 e 18 anos e maiores de 18 anos. Exemplares das dez espécies mais comuns no município de Curitiba, fixados em álcool, foram colocados em bandejas plásticas e identificados com auxílio da chave eletrônica, disponibilizada em laptop. Cada uma das espécies foi avaliada por três vezes, para cada uma das três faixas etárias, resultando em um total de nove testes por espécie.

Resultados:A maioria dos participantes (68%) realizou identificações errôneas. A faixa etária que apresentou maior facilidade de uso e melhores resultados consistiu de adolescentes entre 16 e 18 anos, com um percentual de acertos de 57%. Diferentes graus de dificuldade foram percebidos dentre as espécies elencadas. As serpentes mais facilmente reconhecidas foram Liotyphlops beui (cobra-cega), com todas as respostas corretas e Bothrops jararaca, (jararaca), corretamente identificada em dois terços das observações. Para Micrurus altirostris (coral-verdadeira), o número de acertos e erros foi equivalente. Já para Chironius bicarinatus (cobra-cipó), Oxyrhopus clathratus (falsa-coral), Erythrolamprus poecilogyrus (cobra-capim) e Sibynomorphus neuwiedi (dormideira) a percentagem de erros foi maior do que a de acertos. As espécies Tomodon dorsatus (cobra-espada), Philodryas patagoniensis (papa-pinto) bem como Helicops infrateniatus (cobra-d'água), não obtiveram nenhum acerto. As principais dificuldades relatadas pelos participantes foram a associação da coloração dos exemplares fixados em álcool àquela apresentada em vida, bem como a linguagem que, apesar de ter sido simplificada em relação ao jargão científico, ainda foi considerada de difícil interpretação. Os resultados evidenciaram a necessidade de correções e complementações, em que se destaca a substituição de ilustrações por outras mais elucidativas.

Conclusões:A utilização de ferramentas eletrônicas devidamente corrigidas e testadas pode ser muito útil no desenvolvimento da educação ambiental, desmistificando ideias errôneas popularmente difundidas sobre a identificação, história natural e grau de periculosidade das serpentes, bem como para evidenciar a sua importância ecológica e necessidade de conservação.

Palavras-chave:Educação ambiental. Fauna urbana. Biodiversidade.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador