Artigo

ATUAÇÃO PROFISSIONAL PÓS REFORMA PSIQUIÁTRICA: ANÁLISE DE UMA INSTITUIÇÃO

STROPARO, Amanda Luiza1; BAGATIN, Thiago De Sousa2;

Resumo

Introdução:A reforma psiquiátrica se configura como um movimento de transição que propõe a problematização de temáticas e conceitos e instaura diretrizes e pressupostos para embasar novas estratégicas e lógicas de tratamento em saúde mental. Tratam-se de grandes avanços para os direitos humanos.

Objetivo:Contudo, o Conselho Federal de Medicina posiciona que as mudanças no contexto brasileiro não atendem à demanda populacional e não investem em medidas alternativas à internação. Sendo assim, esta pesquisa surge com o propósito de perscrutar o funcionamento atual dos dispositivos substitutivos aos hospitais psiquiátricos, identificando pontos de avanços e de entraves.

Metodologia:Para isto, foram realizadas 11 entrevistas semiestruturadas com profissionais de um dispositivo da Rede de Atenção Psicossocial de Curitiba: um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) tm do tipo II.

Resultados:Os resultados obtidos foram analisados através do método fenomenológico de Giorgi (1985) e organizados em unidades de significado. Posteriormente, tais unidades foram articuladas com autores que versam sobre a Reforma Psiquiátrica e seus pressupostos. Por meio das entrevistas, foi possível perceber que o dispositivo, na percepção dos participantes, carece de investimentos em recursos humanos, físicos e materiais; que a organização interna imposta para a equipe muitas vezes dificulta o trabalho; que os objetivos principais da Reforma, tais como o paradigma comunitário e a humanização, ainda não foram atingidos, especialmente devido à limitações financeiras, sendo que os profissionais se contradizem quanto a isto; que heranças socioculturais, como a institucionalização, a estigmatização, a medicalização e o poder de determinados profissionais sobre outros e sobre os usuários, permanecem atuantes na sociedade e na rede de atenção; que a rede de atenção demonstra necessidade de formação em saúde mental, de melhorias no diálogo e de oferecer maior suporte para o CAPS; e que estas limitações de recursos e de funcionamento, além das dificuldades na comunicação com a rede, influem diretamente na autoimagem de profissionais e nos sentimentos e emoções vivenciados por eles em relação ao ambiente de trabalho.

Conclusões:A partir disto, verificou-se que a Reforma Psiquiátrica se mostra de fato como um processo de transição e que, embora já tenha estabelecido mudanças, encontra-se no início de um longo percurso no contexto brasileiro, demandando intensos esforços para realizar mudanças de paradigmas com o objetivo de efetivar os pressupostos da reforma e oferecer aos usuários um tratamento humanizado por toda a comunidade e uma real inserção social. Afinal, os profissionais da rede de atenção também fazem parte desta comunidade. Logo, transmitir conhecimentos significa também conquistar aliados para uma efetiva transformação do cuidado.

Palavras-chave:Saúde mental. Reforma psiquiátrica. Rede de atenção psicossocial. Centro de atenção psicossocial. CAPS. Desinstitucionalização.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador